Rui Horta Stage Works
Em Tournée
Local Geographic
Sinopse
Uma obra sobre a importância de perder-se. De fazer da perda um método, sobretudo quando a experiência de vida tende a tornar-se um peso que nos leva a não arriscar. A perda, então, como um método.
Tinha-me habituado, a todas as semanas, pegar na minha bicicleta e descobrir um novo trilho e uma nova paisagem. Habitualmente, partia de manhã cedo e regressava antes do meu dia verdadeiramente começar. Era como que um prólogo para uma rotina anunciada. Às vezes perdia-me...
Há quem vá para a Namíbia ou para o Tibete para perder-se (e, com isso gaste imenso dinheiro...). E há quem se perca ao virar da esquina, quase à porta de casa. Para qualquer criador a dúvida, a perda e o risco são a própria matéria da construção da obra, com o qual convivem no dia-a-dia: a investigação, a experimentação.
De algum modo, das três obras que criei para o CCB, enquanto artista associado nesta temporada, esta é a mais narrativa e também a mais pessoal. Um discurso sobre a busca da identidade, nos antípodas do plausível, na fronteira da ironia. Só podia ser feita por mim e para mim mesmo ou para um intérprete com o qual tenho partilhado um sem número de aventuras criativas ao longo de dezoito anos, Anton Skrzypiciel. Actor/ bailarino/ intérprete multifacetado, um homem de tal modo curioso perante a vida que nunca conseguiu amarrar a âncora do seu barco em nenhum porto de abrigo, um protagonista essencial nos mais importantes trabalhos que realizei.
Esta é uma obra acompanhada dos meus cúmplices habituais, o compositor Tiago Cerqueira, o actor/ encenador Tiago Rodrigues e o designer de multimédia Guilherme Martins.
A vida inteira num passeio de bicicleta
Por Luísa Roubaud
Uma certa manhã, bem cedo, um ciclista perdia-se inexplicavelmente no regresso de uma incursão no campo, próximo do lugar onde habitava. Estávamos no dealbar da Primavera de 2009 e a natureza, depois das chuvas de Inverno, literalmente, explodia. Era Rui Horta, coreógrafo, então com 51 anos, quem pedalava através da semidomesticada planície alentejana; ali se estabelecera com a família, nos arredores de Montemor-o-Novo, após uma década no estrangeiro, para criar O Espaço do Tempo, o centro de pesquisa e criação situado no morro sobranceiro à vila, no quinhentista Convento da Saudação. [continuar a ler]
Ficha Técnica
Direcção, Coreografia, Luzes, Conceito visual: Rui Horta
Música original: Tiago Cerqueira
Textos: Rui Horta, Tiago Rodrigues
Interpretação: Anton Skrzypiciel
Vídeo: Guilherme Martins
Apoio Dramatúrgico: Tiago Rodrigues
Direcção Técnica: Luís Bombico
Produção: Ana Carina Paulino
Co-Produção
CCB | O Espaço do Tempo | Centro Cultural Vila Flor | Teatro Nacional S. João
Fotos
Vídeo
Rider Técnico
Local Geographic (rider técnico)

